segunda-feira, 9 de março de 2015

OBRAS - OS SERTÕES

Os Sertões, como o próprio título sugere, recupera o tema do sertão, do mundo sertanejo, enquanto mundo oposto ao mundo "civilizado", caracterizando-se pelas condições primitivas (e às vezes selvagens) de existência de seus habitantes, vivendo, em regra, à mercê da natureza.


A consciência desse sertão - quase uma entidade mítica, símbolo das áreas mais desertas do Brasil, onde uma sociedade rudimentar sobrevive separada do conforto do progresso encontrado no litoral, como já havia sido falado em sala de aula.
O livro de Euclides da Cunha surge, portanto, na passagem do Realismo para o Modernismo, em 1902, fruto das reportagens que o autor realizou, como enviado de O Estado de S. Paulo, durante a fase final da Campanha de Canudos (1897). Os textos jornalísticos, contudo, em nada se comparam à dimensão alcançada pela obra, na qual Euclides antepõe à narração da luta dos sertanejos duas partes introdutórias: "A Terra" e "O Homem".
 





Construindo um painel gigantesco da paisagem física e humana do sertão nordestino, Euclides reúne um incrível volume de informações, uma espantosa multiplicidade de fatos e interpretações, fixando, na figura de Antônio Conselheiro, a expressão desse mundo atormentado e esquecido. A narrativa da terceira e última parte do livro, "A Luta", surge, dessa forma, como uma campanha sem glória, em que as forças governistas investem, cegas, contra uma comunidade miserável.
A obra é prejudicada pela visão fatalista de Euclides, que erra, em sua análise da “sub-raça sertaneja”, com a ciência da época. Apesar disso,Os Sertões permanece como uma contribuição essencial para o conhecimento de parcela da realidade brasileira.
Já no que se refere às características estéticas da obra, seu estilo de exuberância barroca explode numa linguagem rebuscada, verdadeiro convite a saborear as infinitas possibilidades da língua portuguesa.
Inclassificável, Os Sertões é, segundo Alfredo Bosi, “um testamento de paixão e de ciência”

Fontes
  • José Paulo Paes & Massaud Moisés: Pequeno Dicionário de Literatura Brasileira (biográfico, crítico e bibliográfico), Editora Cultrix.



  • Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira, Editora Cultrix

PARA SABER MAIS





domingo, 1 de março de 2015

O PRÉ-MODERNISMO...

Olá, meus anjos!





Vamos conversar um pouquinho sobre o Pré-Modernismo. Bom, não se deve considerar o Pré-Modernismo como um movimento literário, já que ele ocorreu num período de transição, entre o início do século XX até 1922, quando é marcado o início do Modernismo no Brasil. Foi um período de várias transformações sociais e políticas, tanto dentro quanto fora do Brasil, transformações estas que influenciaram diretamente no surgimento de várias tendências artísticas que veremos durante o decorrer deste ano.
O Pré-Modernismo não chega a constituir um movimento, pois envolveu tendências artísticas diferentes: se, por um lado, temos obras que possuem tendências do século XIX, características do Realismo, podemos ver também obras que remetem ao Simbolismo e ainda as que remetem às vanguardas europeias - que veremos em breve -  e que viriam a trazer a ruptura modernista em 1922.
A novidade trazida pelo Pré-Modernismo era o interesse pela realidade brasileira, pelo dia-a-dia dos brasileiros, trazendo obras de caráter social, com uma análise sobre essa realidade, algo diferente do que era apresentado. Outra novidade apontada era a busca de linguagem simples, muitas vezes ignorando as normas linguísticas da época.

CONTEXTO HISTÓRICO
O momento histórico brasileiro interferiu na produção literária, marcando a transição dos valores éticos do século XIX para uma nova realidade que se desenhava, essencialmente pautado por uma série de conflitos como o fanatismo religioso do Padre Cícero e de Antônio Conselheiro e o cangaço, no Nordeste, as revoltas da Vacina e da Chibata, no Rio de Janeiro, as greves operárias em São Paulo e a Guerra do Contestado (na fronteira entre Paraná e Santa Catarina); além disso a política seguia marcadamente dirigida pela oligarquia rural, o nascimento da burguesia urbana, a industrialização, segregação dos negros pós-abolição, o surgimento do proletariado e: finalmente, a imigração europeia.
Além desses fatos somam-se as lutas políticas constantes pelo coronelismo, e disputas provincianas como as existentes no Rio Grande do Sul entre maragatos e republicanos.

PRINCIPAIS AUTORES


  • Euclides da Cunha, com Os Sertões, aborda de forma jornalística a Guerra de Canudos; a obra, dividida em três partes (A TerraO Homem e A Luta), procura retratar um dos maiores conflitos do Brasil. O sertão baiano e pernambucano onde se deram as lutas, era um ambiente praticamente desconhecido dos grandes centros, e as lutas marcaram a vida nacional: o termo favela, que tornou-se comum depois, designava um arbusto típico da caatinga, e dava nome a um morro em Canudos .
  • Graça Aranha, com Canaã, retrata a imigração alemã para o Brasil.Nesse livro tinha o constante conflito entre dois imigrantes Milkau e Lentz que discutiam se o dinheiro era mais importante do que o amor.
  • Lima Barreto, que faz uma crítica da sociedade urbana da época, com Triste Fim de Policarpo Quaresma e Recordações do Escrivão Isaías Caminha; e O Homem Que Sabia Javanês.
  • Monteiro Lobato, com Urupês Cidades Mortas, retrata o homem simples do campo numa região de decadência econômica. Ele também foi um dos primeiros autores de literatura infantil, desse modo, transmitindo ao público infantil valores morais, conhecimentos do Brasil, tradições, nossa língua. Destacou-se no gênero conto. E foi, também, um dos escritores brasileiros de maiores prestígios.
  • Valdomiro Silveira, com Os Caboclos, e Simões Lopes Neto, com Lendas do Sul e Contos Gauchescos, precursores do regionalismo, retratam a realidade do sul brasileiro.
  • Augusto dos Anjos que, segundo alguns autores, trazia elementos pré-modernos, embora no aspecto linguístico tenda para o realismo-naturalismo, em seus Eu e Outras Poesias.
  • Outros autores:
    • Figuram como escritores desse período, embora guardem no estilo mais elementos das escolas precedentes, autores como Afonso Arinos, Alcides Maya e Coelho Neto. Este último, ao lado de Afrânio Peixoto, tendia a uma visão da literatura como simples ornato social e cultural. Raul de Leoni pode ser, também, tido como pré-modernista, mas o seu Luz Mediterrânea tende ao Simbolismo.



PARA SABER MAIS:

Filmes! (Os links levam direto aos vídeos) 



Vídeo-aula!


Animação que assistiremos durante a aula!

Apresentação